sábado, 27 de julho de 2013

Não ser

não nego
sou ausente
de plena sinceridade
quando afirmo
que sou parente
da eterna vontade
de viver
morrer
padecer
de algo que não seja
por que o que não é
meu coração impede
espontaneidade
                      

Criando sentido



Longíncua
paciente
pergunto a mim
dolente
de que maneira
faço nascer
esse amor dormente
que de repente
em minha mente
me sopra prosas
de mar

é tão profundo
o que me guarda
que não sei
não sei pisar
não sei falar
agora mesmo
sinto a poeira
que me torno
por estar
sentindo
em cada poro
a lonjura
a armadura
se desmanchar
por apenas
cantar
o que o silêncio
me apronta
nessas noites
que dou-me
a perguntar

minhas perguntas
pequenas velas
que acendem
encantando
e apagam
afirmando
o instante
como ponte
de clareza
e escuridão

reafirmo
que sou gente
faço verso
de poente
faço verso
de nascente
penso alto
penso baixo
permaneço
no sentimento
que não me apresenta
argumento
fitando urgentemente
todas as partes
frente a frente
pra resgatar
sentido
e respirar






Andarilha


sou andarilha de minhas terras
e cada canto que passei
passo
e faço o que ainda não sei
mas sei que saberei
porque me perco
 me acho
e saboreando
me caço

sábado, 13 de julho de 2013

A carícia




Entre,
passeie pelos meus rastros
entenda estrelas
converse em versos
acaricia 
lento
o que eu espero
arranque de mim
o que não sei 

meus pés
estão expostos

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Cor de amanhecer


O que fala mais que um rosto cansado
 Pele laranja marrom
cheia de terra arrastada
cheia de falta de ar

Mão expremendo rosto
vestido bonito que conta
história antiga
tipo canção de alegria
de amor florido desbotado
sendo só memória travada

Mão implorando corpo
Pele desmanchada
olho fechado cantando poeira
declamando partida
de peito partido
que talvez vai pra ficar

Que medo que dá
essa moça beleza
virar um vento de dor
um grito perdido
uma alma contida

Que medo que dá
que só fique o pano rendado
que só fique tristeza parida

Não se esquece
moça esquecida
que laranja marrom
é cor de amanhecer

Foto Aryella Lira

Sorriso teu


Teu riso trás a primavera
das flores azuis, amarelas
dos pássaros que cantam doces
frescas águas noturnas do dia

Meu coração desabrocha
branco, íntimo
como uma semente que espera
o sol da manhã

Teu riso, alento de minha infância
mar imenso, infinito céu em meus olhos
Canção bordada nas estrelas
estrelas caladas de alegria
profundas

Sonho lúcido


Cantarolando sorrisos
Corpo sendo criação de primavera
Pé pisando tato azul clarinho
Tudo sendo buniteza
Beleza rara
Declaração pintada a mão