O que com palavras não consigo dizer
Passeia pelo ventre do coração
Lançando-se num eterno movimento
De partida e chegada
E flui no sangue como condição
De um olhar firme e belo
Que reconhece os mistérios
Compreendidos sobre os cuidados
do próprio ser.
Não consigo dizer o que sinto
Nesse sopro que minha voz pertence
Enquanto os meus pés
Pisam a Terra
Na qual brotei
Como centro da imensidão.
Olhar preciso
Que troca reverências de reconhecimento
Com tudo o que me acerca
Bebendo constantemente
O aprendizado do amor sempre presente.
Nativa do meu lugar
Mergulho minhas mãos nos cuidados
E elevo-me em profunda gratidão ao Sol.
Pajé de mim
toca o fogo do tambor da existência
Pois o que com palavras não consigo dizer
Confirma a grandeza do que sou.