Longíncua
paciente
pergunto a mim
dolente
de que maneira
de que maneira
faço nascer
esse amor dormente
que de repente
em minha mente
me sopra prosas
de mar
é tão profundo
é tão profundo
o que me guarda
que não sei
não sei pisar
não sei pisar
não sei falar
agora mesmo
agora mesmo
sinto a poeira
que me torno
que me torno
por estar
sentindo
sentindo
em cada poro
a lonjura
a armadura
se desmanchar
por apenas
cantar
o que o silêncio
me apronta
nessas noites
que dou-me
a perguntar
que dou-me
a perguntar
minhas perguntas
pequenas velas
pequenas velas
que acendem
encantando
e apagam
afirmando
o instante
como ponte
de clareza
e escuridão
reafirmo
que sou gente
faço verso
de poente
faço verso
de nascente
penso alto
penso baixo
penso baixo
permaneço
no sentimento
no sentimento
que não me apresenta
argumento
fitando urgentemente
todas as partes
frente a frente
pra resgatar
sentido
e respirar
e respirar
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